Empresas de tecnologia assinam acordo para combater conteúdo gerado por inteligência artificial que possa interferir nas eleições

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Um grupo de grandes empresas de tecnologia, incluindo Adobe, Amazon, Google, IBM, Meta, Microsoft, OpenAI e TikTok, anunciou na sexta-feira (14) um novo acordo voluntário para adotar “precauções razoáveis” para evitar que ferramentas de inteligência artificial (IA) sejam usadas para perturbar as eleições democráticas em todo o mundo.

O acordo visa combater os chamados “deepfakes”, que são imagens, áudios e vídeos falsos ou alterados por IA que enganam os eleitores sobre a aparência, a voz ou as ações de candidatos, autoridades eleitorais e outras partes interessadas em uma eleição democrática, ou que fornecem informações falsas aos eleitores sobre quando, onde e como eles podem votar legalmente.

As empresas não se comprometem a banir ou remover os deepfakes, mas sim a tentar detectar e rotular o conteúdo enganoso gerado por IA quando ele for criado ou distribuído em suas plataformas. Elas também prometem compartilhar as melhores práticas entre si e fornecer “respostas rápidas e proporcionais” quando esse conteúdo começar a se espalhar.

O acordo é em grande parte simbólico, mas aborda um problema crescente e preocupante para o campo da democracia digital, que enfrenta o desafio de lidar com uma tecnologia cada vez mais realista e sofisticada que pode manipular a percepção e a opinião pública.

A iniciativa das empresas de tecnologia é louvável, mas não suficiente para garantir a integridade e a transparência das eleições em um cenário de desinformação e polarização. É preciso também que os governos, os órgãos eleitorais, os partidos políticos, os candidatos, a mídia e a sociedade civil atuem de forma coordenada e responsável para fiscalizar, denunciar e combater as tentativas de interferência eleitoral por meio da IA.

Além disso, é necessário questionar se a IA já não teria comprometido as eleições em países que adotam o método eletrônico há anos, como o Brasil. Será que os sistemas de votação e apuração são seguros e auditáveis o suficiente para evitar a fraude ou a manipulação por IA? Será que os eleitores estão conscientes e preparados para identificar e rejeitar os conteúdos falsos ou distorcidos por IA que circulam nas redes sociais e nos aplicativos de mensagens? Será que os órgãos de justiça e controle têm capacidade e agilidade para investigar e punir os crimes eleitorais envolvendo IA?

Essas são questões que devem ser debatidas e respondidas com urgência, antes que a IA se torne uma ameaça à democracia e à soberania popular.

Fonte: ABC NEWS

(Com opinião do editor).