ArtCraft: o “Adobe livre” que roda no Linux

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Open sourceFeito em RustLinux · Windows · macOSNov/2026

Uma suíte gratuita e de código aberto promete reconstruir Photoshop, Premiere, Lightroom, Acrobat e até Word e Excel. Eu fui conferir o que é real, o que é promessa e o que muda para quem vive de Linux.

15apps na página oficial de “Crafting Apps”
R$ 0sem assinatura e sem conta, segundo o site
3sistemas: Linux, Windows e macOS
Rustapps nativos de desktop, sem Electron, segundo o site oficial

Quem usa Linux e precisa de ferramentas da Adobe conhece o ritual: Wine que quase funciona, máquina virtual pesada, dual boot só para abrir um PSD. A Adobe simplesmente não vende esses programas para o pinguim. Em outubro de 2026 apareceu um projeto que resolveu atacar isso de frente com uma ideia ousada: reconstruir os apps do zero, em código aberto, usando inteligência artificial.

O nome é ArtCraft, e o endereço é getartcraft.com. Saiu faz pouco tempo, ainda está cru, mas já mexeu com a comunidade de tecnologia, de design e, claro, de Linux. A pergunta que não quer calar: será que já são capazes de substituir os softwares da Adobe?

ArtCraft em 30 segundos

Quem fez: o engenheiro de software americano Brandon Thomas, construindo com ajuda do Claude Opus 5.5, da Anthropic.
O que é: uma família de apps de desktop open source, escritos em Rust, que copiam de perto menus, painéis e atalhos de programas da Adobe e da Microsoft.
Quando: os primeiros repositórios ficaram públicos em 30 de setembro de 2026.
Quanto: grátis. O site afirma que não há assinatura e licenças permissivas (MIT/Apache, segundo o criador e a imprensa).
Onde: Linux, Windows e macOS; a maioria também roda no navegador via WebAssembly.
Maturidade: early alpha e “em desenvolvimento”. Mais abaixo você vê app por app.

A grade: 15 apps, uma “Adobe e Microsoft” em versão livre

A suíte começou com sete apps espelhando a Adobe e, em poucas semanas, cresceu para cobrir também o universo Microsoft e outras áreas. Veja quem é quem (o status vem da própria página oficial de apps):

Ph
PhotoCraftEdição de imagem em camadas, com suporte a PSD. Faz o papel do Photoshop.Early alpha
Vc
VectorCraftIlustração vetorial. Mira o Illustrator.Em desenvolvimento
Fm
FilmCraftEdição de vídeo com timeline multipista. Mira o Premiere Pro.Em desenvolvimento
Lc
LightCraftBiblioteca de fotos e revelação raw. Mira o Lightroom (o novo, não o Classic).Em desenvolvimento
Pd
PdfCraftLer, organizar, juntar, dividir e proteger PDFs. Mira o Acrobat.Early alpha
Ef
EffectCraftMotion graphics e efeitos visuais. Mira o After Effects.Em desenvolvimento
Dg
DesignCraftDiagramação e publicação. Mira o InDesign.Em desenvolvimento
Fg
FigCraftDesign de interfaces e protótipos. Mira o Figma.Early alpha
Tx
TextureCraftPintura de texturas 3D.Em desenvolvimento
Wd
WordCraftProcessador de texto, com suporte a .docx. Mira o Word.Em desenvolvimento
Sd
SoundCraftEstação de áudio digital: gravar, editar e mixar. A imprensa compara com o Pro Tools.Em desenvolvimento
Dk
DeckCraftApresentações de slides. Mira o PowerPoint.Em desenvolvimento
Cd
CADCraftDesenho técnico 2D. Mira o AutoCAD.Em desenvolvimento
Gr
GridCraftPlanilhas e análise de dados. Mira o Excel.Em desenvolvimento
Ca
Craft AnythingExplorar como um software funciona e construir a sua própria versão.Early alpha

Os nomes e as comparações com produtos da Adobe e da Microsoft vêm da página oficial e da cobertura da imprensa. Os apps são projetos independentes e não têm ligação com essas empresas. Veja a lista completa no site oficial.

Por que isso importa para quem usa Linux

Esse é o ponto que me deixou mais animado. Segundo a cobertura especializada, a Adobe não vende nenhum desses programas para Linux. Já os Craft Apps nascem com builds nativos para o sistema. O que o projeto promete:

O pacote “amigo do pinguim”

Nativo, segundo o site: o projeto afirma que os apps são Rust compilado para desktop, sem Electron e sem web views. É uma declaração oficial; ainda não vi uma checagem independente do código.
Tudo local: os arquivos ficam na sua máquina, sem ida e volta para a nuvem.
Pronto para automação: cada app pode ser controlado por linha de comando, canal JSON ou servidor MCP, ótimo para quem gosta de script e agentes de IA.
Instalação centralizada: o ArtCraft Launcher instala e atualiza todos os apps. O site tem até uma página dedicada a repositórios Linux.
Compatibilidade: o PhotoCraft abre PSD, o WordCraft abre .docx, e a ideia é que seus arquivos continuem circulando.

Calma, pinguim: dois avisos honestos

Uma análise do setor relatou que usuários de Windows e Linux já esbarraram em bugs básicos de interação no EffectCraft.
Existe também o ArtCraft Studio, o app de imagens e vídeos por IA generativa. Na página oficial ele aparece para macOS, Windows e web, sem menção a Linux. Os Craft Apps são outra coisa. Reportagens ainda indicam que os recursos de geração por IA podem consumir créditos pagos; confira a página de preços.

Quer testar? Tudo começa pelo site oficial do ArtCraft, onde ficam o launcher, os apps e os links do GitHub.

A pergunta de milhões: já substitui a Adobe?

Minha resposta curta: ainda não. A Adobe continua sendo a rainha do trono. Mas a história não termina aí, porque o recado que o ArtCraft dá é alto. Vamos aos fatos dos dois lados.

✅ O que já convence

Preço zero e sem exigir conta para usar.
Interface familiar: menus, painéis e atalhos parecidos com os da Adobe, para quase não reaprender nada.
Velocidade absurda: uma dúzia de apps em poucas semanas. O PhotoCraft passou de 44 mil estrelas no GitHub em 11 de outubro, segundo um levantamento de terceiros.
Relatos positivos de quem testou: no Hacker News, houve quem elogiasse a velocidade do PdfCraft com PDFs enormes e quem aproveitasse presets do Lightroom no LightCraft.
Linux como cidadão de primeira classe, algo que a Adobe nunca ofereceu.

⚠️ O que ainda pesa

Maturidade: quatro apps estão em early alpha e o resto, em desenvolvimento.
Teste em fluxo real: uma designer que tentou trabalhar com o PhotoCraft relatou lentidão, pincéis serrilhados e problemas com camadas e seleção. A Decrypt e a Creative Bloq também encontraram problemas sérios.
Ecossistema: o PhotoCraft não roda scripts nem plug-ins do Photoshop, e o EffectCraft não abre projetos .aep nem roda plug-ins do After Effects.
Dúvida jurídica: o criador fala em reimplementação de “sala limpa”, mas isso ainda não foi verificado de forma independente. Até meados de outubro, não havia processos conhecidos.
Promessa x entrega: comentários no Hacker News lembram que o criador falou em paridade quase total em cerca de um mês. Mais de um mês depois, o status dos apps no site segue sendo alpha ou em desenvolvimento.

O Hacker News resume bem o clima: o post foi sinalizado (flagged), teve centenas de comentários e a turma se dividiu entre “lixo gerado por IA” e “impressionante para o tempo que levou”. E tem um detalhe que quem vive de design diz com razão: Photoshop não é só funcionalidade, é sensação. A resposta do pincel, a precisão do retoque. Isso não se copia de uma hora para outra.

E enquanto isso, no Linux de hoje…

Se você precisa trabalhar agora, as alternativas livres maduras continuam sendo as de sempre: GIMP, Krita, Inkscape e o DaVinci Resolve (que tem versão gratuita e roda no Linux). Segundo a Tatler Asia, elas estão muito mais maduras que a linha ArtCraft. O ArtCraft é o futuro que você acompanha; essas são as ferramentas que você usa na segunda-feira.

O trono e a assinatura: será que a Adobe vai ter que mexer no preço?

Aqui entra a minha aposta. Desde a era do Creative Cloud, os apps profissionais da Adobe só existem por assinatura. Não tem a opção de pagar uma vez e usar para sempre. Para quem está no Brasil, os números da própria Adobe dão a dimensão:

R$ 214/mêsvalor normal do Creative Cloud Pro, segundo a página de termos da Adobe Brasil
R$ 99/mêspreço promocional no primeiro ano, com compromisso de 12 meses
até 37%de redução em alguns apps avulsos no Brasil, noticiada pela imprensa

Esse último dado é o mais interessante. A Tecnoblog ligou o corte de preços à concorrência da Affinity, que foi comprada pela Canva em 2024. Ou seja: a Adobe já reage quando aparece concorrência séria. Pesa também o ambiente de desgaste: em 2026, a empresa fechou um acordo de US$ 150 milhões com o Departamento de Justiça dos EUA sobre a forma como tratava cancelamentos e taxas (a Adobe negou qualquer irregularidade).

O ArtCraft ainda não é concorrente à altura. Mas, se a evolução continuar nesse ritmo, não me surpreenderia ver a Adobe revendo preços, planos e talvez até o modelo de assinatura. Isso é opinião minha, não fato. O tempo dirá.

Então, quem deveria testar agora?

1

O entusiasta de Linux e de open source

Instale, brinque, abra uma issue no GitHub. Seu feedback ajuda a decidir para onde o projeto vai, e a comunidade do projeto pede justamente isso.

2

O profissional que vive de Adobe

Mantenha a assinatura no trabalho e rode o ArtCraft em paralelo, com cópias dos arquivos. Nada de entregar cliente em software alpha.

3

Quem só precisa do básico

PDFs, planilhas simples, documentos e edições leves podem ser um bom campo de teste, desde que não sejam arquivos críticos.

Como testar sem dor de cabeça

1

Comece pelo site oficial

Entre em getartcraft.com e baixe o ArtCraft Launcher, que instala os apps e os mantém atualizados.

2

Escolha um app só

Comece pelo que você mais usa. PhotoCraft e PdfCraft são os mais “vistos” pela comunidade.

3

Trabalhe sempre em cópias

Software alpha pode travar ou corromper arquivo. Nunca abra o original.

4

Registre o que quebrar

Bugs relatados é o que faz o projeto avançar. O Discord e o GitHub estão linkados no site.

E você, largaria a Adobe?

Se o ArtCraft chegar a 100% do que promete, você trocaria a assinatura por ele no Linux? Ou a “sensação” do Photoshop e o ecossistema ainda falam mais alto? Conta aí nos comentários.

Conhecer o ArtCraft →

Informações conferidas em 02/11/2026. O projeto muda muito rápido, então status, preços e funcionalidades podem já ter mudado quando você ler. ArtCraft, Adobe e demais marcas citadas pertencem aos seus respectivos donos.
Horizon Tech News — Tecnologia explicada para quem quer utilizá-la na prática.